Cenário econômico 2026: perspectivas e desafios para empresas familiares no Brasil

Cenário econômico 2026: perspectivas e desafios para empresas familiares no Brasil

Encontro da FBN Brasil com o professor Bruno Carazza analisa crescimento econômico, juros elevados, reforma tributária e impactos estratégicos para famílias empresárias.

Por FBN Brasil

No dia 11 de fevereiro, a FBN Brasil, em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC), realizou um Café da Tarde presencial que marcou o início da agenda de encontros de 2026. O evento reuniu famílias empresárias para uma análise aprofundada do cenário político e econômico brasileiro.

A conversa foi conduzida pelo professor Bruno Carazza, que apresentou um panorama das principais tendências econômicas e dos fatores que devem influenciar o ambiente de negócios nos próximos anos. Para empresas familiares, compreender essas dinâmicas é essencial para orientar decisões estratégicas, planejamento e investimentos de longo prazo.

Crescimento econômico consistente no Brasil

Um dos pontos destacados foi o atual ciclo de crescimento econômico do país. O Brasil acumula cinco anos consecutivos de expansão do PIB, algo que não ocorria desde o período entre 2010 e 2014.

Desde 2022, a economia brasileira tem apresentado um crescimento relativamente estável, na faixa de 3% a 3,5% ao ano. A expectativa é que 2026 mantenha essa sequência positiva – um movimento pouco comum na história econômica recente do país.

Esse cenário também vem acompanhado de melhora em alguns indicadores sociais e econômicos. A taxa de desemprego caiu de forma consistente e chegou a aproximadamente 5% em 2025, uma das menores marcas das últimas décadas. Ao mesmo tempo, observa-se aumento da renda média e um mercado de trabalho aquecido.

Para empresas familiares, esse ambiente pode representar oportunidades de expansão e crescimento, especialmente em setores ligados ao consumo.

Juros elevados e desafios fiscais

Apesar dos indicadores positivos, o cenário econômico também apresenta pontos de atenção importantes.

Nos últimos anos, o Brasil enfrentou pressões inflacionárias que levaram o Banco Central a elevar a taxa básica de juros (Selic) a patamares que não eram observados há cerca de duas décadas. A última vez em que os juros atingiram níveis próximos de 15% havia sido em 2006.

Entre os fatores que explicam essa política monetária mais restritiva está a situação fiscal do país. A relação entre dívida pública e Produto Interno Bruto (PIB) já se aproxima de 78,7%, o que aumenta as preocupações sobre o equilíbrio das contas públicas.

Juros mais altos tendem a desacelerar a atividade econômica e encarecer o crédito, impactando diretamente decisões de investimento e expansão – um ponto particularmente relevante para empresas familiares que dependem de planejamento financeiro de longo prazo.

Inflação, câmbio e custos para empresas

A inflação tem apresentado sinais de desaceleração, mas ainda exige atenção, especialmente no setor de serviços. Esse segmento é altamente sensível ao aumento da renda e ao aquecimento da demanda.

O câmbio também exerce influência significativa no ambiente econômico. Embora o dólar tenha recuado recentemente para a faixa de R$ 5,20, o patamar ainda é mais elevado do que no período pré-pandemia, quando estava próximo de R$ 4.

Um dólar mais alto encarece importações e pode pressionar custos para empresas que dependem de insumos externos. Ao mesmo tempo, favorece exportações, criando incentivos para que produtores direcionem parte de sua produção ao mercado internacional.

Esse movimento pode afetar a disponibilidade de produtos no mercado doméstico e pressionar preços.

O impacto do cenário internacional

O contexto global também desempenha um papel relevante nas perspectivas econômicas do Brasil.

A desaceleração da economia chinesa é um dos fatores que merecem atenção. Após décadas de crescimento acelerado, o país enfrenta desafios estruturais, incluindo uma crise no setor imobiliário e mudanças no comportamento do consumo interno.

Com crescimento mais moderado – cerca de 5% em 2025 –, a China tende a ampliar sua presença nos mercados internacionais para escoar sua produção industrial. Isso pode aumentar a competição global e gerar impactos em diferentes setores da economia brasileira.

Por outro lado, a maior oferta de produtos no comércio internacional pode ajudar a reduzir pressões inflacionárias em diversos países, incluindo o Brasil.

Desafios estruturais para empresas familiares

Além do cenário macroeconômico, alguns fatores estruturais merecem atenção especial das empresas familiares.

Entre eles está o aumento da inadimplência no país. Mais de 81 milhões de brasileiros possuem dívidas em atraso, com crescimento do valor médio das pendências financeiras.

Outro fenômeno recente é a expansão das plataformas de apostas online. Estima-se que mais de 25 milhões de brasileiros tenham realizado apostas, com cerca de 100 milhões de contas abertas nesse tipo de serviço. Esse movimento pode redirecionar recursos do consumo para esse segmento da economia.

Também chama atenção o cenário do mercado de trabalho. A combinação de desemprego baixo, crescimento do trabalho informal e aumento de atividades autônomas tem tornado mais desafiadora a contratação e retenção de profissionais.

Entre 2020 e 2025, o país registrou aumento de cerca de 7 milhões de empregos formais, além da expansão do número de trabalhadores informais e autônomos.

Para empresas familiares, esse contexto exige estratégias mais estruturadas de gestão de pessoas.

Reforma tributária e ambiente de negócios

Outro tema relevante para os próximos anos é a implementação da reforma tributária. O ano de 2026 deve marcar um período inicial de testes e ajustes do novo sistema.

Durante a fase de transição, empresas terão de conviver com dois modelos tributários simultaneamente, o que aumenta a complexidade operacional e exige preparação em diversas áreas.

Isso inclui adaptações jurídicas, tecnológicas, financeiras e comerciais, além da revisão de contratos e da análise de cadeias de fornecedores.

Para empresas familiares, antecipar esse processo de adaptação pode representar uma vantagem competitiva importante.

Planejamento estratégico em um cenário de transição

O cenário econômico projetado para os próximos anos combina fatores positivos – como crescimento e aumento da renda – com desafios estruturais relevantes, incluindo juros elevados, mudanças regulatórias e transformações no mercado de trabalho.

Para empresas familiares, esse contexto reforça a importância de planejamento estratégico, governança e acompanhamento constante das dinâmicas econômicas e políticas.

Mais do que reagir às mudanças, famílias empresárias que conseguem interpretar o ambiente macroeconômico e ajustar suas estratégias tendem a fortalecer sua resiliência e sua capacidade de crescimento no longo prazo.

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